Superando a insatisfação íntima

A satisfação pessoal está no centro de nossas buscas. Se nos empenhamos para ter dinheiro, poder, status, reconhecimento profissional ou um bom relacionamento afetivo é pelo bem-estar que – teoricamente – essas condições podem nos trazer. Ainda assim, percebermos que uma vida relativamente equilibrada nos aspectos monetário, profissional e afetivo não é garantia de equilíbrio íntimo.

Um indivíduo insatisfeito pode manifestar o descontentamento acumulado por meio do mau humor, de mal-estar ou doença física e psicossomática. Mas os sinais da frustração interna nem sempre são evidentes. Um sujeito alienado, que faz questão de se manter distante de sua realidade, ou que mantém postura de acomodação diante da vida também pode estar vivendo o persistente incômodo de que falta alguma coisa. Atitudes como infantilismo, arrogância e as reações instintivas ou combativas persistentes são outros indicativos que podem refletir uma insatisfação pessoal de raiz mais profunda.

Fundamentada para estudar a individualidade que vai além do corpo físico no ser humano, a ciência Conscienciologia propõe aprofundamento nos motivos que levam à insatisfação íntima. O caminho para superá-la passa pelo abandono da posição de quem fica na mediocridade, de quem se nivela pelo comum e fica no nível da maioria. Não estamos falando da postura arrogante de se colocar acima dos outros, mas sim de fazer uso de todas as conquistas evolutivas, todos os recursos positivos da personalidade para aumentar ainda mais a maturidade e fazer escolhas mais assertivas.

A satisfação íntima também passa pela coragem do indivíduo em assumir posturas autênticas, genuínas, em agir de acordo com o grau de sua integridade. Diante de uma realidade que preza pela aparência, onde o fazer-parecer se coloca à frente do ser, é cada vez mais raro e valioso o exemplo de quem age alinhado a princípios e valores alinhados com a maturidade pessoal.

O controle emocional também está no caminho da satisfação íntima. O perfil do indivíduo equilibrado, que vive de modo harmonioso consigo e com seu meio, pressupõe a superação dos rompantes da emocionalidade, sejam eles coléricos ou eufóricos. Os excessos emocionais, seja na tristeza ou na alegria, geram desequilíbrios que alimentam o sentimento de melancolia.

O excesso de emocionalismo na maioria das vezes tem relação com o egocentrismo e demonstra postura da pessoa que ainda pensa muito ou só em si. Na medida em que ganha maturidade no processo evolutivo, o indivíduo tem condições de ser mais altruísta. Deixar de agir de acordo com essa maturidade, ou seja, ignorar a capacidade de ajudar quando vivemos num ambiente de tantos necessitados, é fator da insatisfação de muitos. A Conscienciologia indica a assistência ao outro por meio do exemplo, do esclarecimento e das bioenergias. Seja na coerência das atitudes, seja nas ações realizadas especificamente para este fim, a assistência realizada de modo lúcido é fator de sustentação da satisfação íntima.

O sentimento de realização pessoal também é resultado de atitudes que expressam a capacidade máxima do indivíduo. Seja no âmbito pessoal ou profissional, o prazer de atingir determinado objetivo está relacionado ao grau de esforço nele empenhado. Quando a medida ficar aquém em relação às habilidades da pessoa, podemos dizer que ele está em subnível. Neste sentido, a maturidade do indivíduo está relacionada ao desenvolvimento da inteligência evolutiva, mais uma passagem no caminho do bem estar pessoal. A inteligência evolutiva é um módulo que consiste no desenvolvimento de atributos como o autodidatismo, quando o indivíduo não depende de mecanismos extras para buscar o que é mais produtivo para sua evolução e encontra em si a motivação para fazê-lo, e do parapsiquismo, ou seja, a percepção que vai além dos cinco sentidos físicos. É por meio do parapsiquismo que mantemos contatos com outras realidades, experimentando de fato a manifestação do indivíduo que transcende à matéria. Por meio da inteligência evolutiva o indivíduo começa a fazer as escolhas mais adequadas ao seu grau de maturidade, fazendo dessas escolhas a fonte de sua satisfação pessoal.

Além de todas essas variáveis, a Conscienciologia aponta o distanciamento em relação ao projeto de vida – uma programação traçada antes de o indivíduo nascer – entre as principais causas do estado permanente de desarmonia pessoal. Quando desvia das metas pessoais mais avançadas e que atendem ao potencial já alcançado no decorrer de suas várias vidas, o indivíduo cai em melancolia. E para fugir dela, muitas vezes se afunda em mecanismos superficiais, nas ofertas de diversão fácil e nos desvios que, conforme mencionados no começo, podem aparecer por meio do dinheiro, poder, status e até mesmo do reconhecimento profissional, quando a atividade escolhida não atende ao nível de ética atingido pelo indivíduo. O estado de satisfação íntima, portanto, é resultado do empenho das capacidades do indivíduo em projetos de vida construtivos, que agreguem valores pessoais e contribuam para o desenvolvimento sadio do conjunto de indivíduos que habita o planeta.

Rosane Amadori é jornalista e professora do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC), instituição de educação e pesquisa científica, laica, sem fins lucrativos.